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Crack causa conseqüências cada vez mais avassaladoras

 

As conseqüências do crack para a saúde e para a vida social são avassaladoras e não demoram a aparecer. "Eles chegam acabados, desnutridos e sujos", descreve a psiquiatra Virna Gomes, do Elo de Vida. Quando um ex-paciente voltou, quatro anos depois de ter completado seu tratamento contra o alcoolismo, Virna não o reconheceu. O crack o desfigurara. A crueldade dos efeitos assusta, daí ser comum ver usuários começando pelo mesclado, uma mistura de maconha com crack.

 

"Os sintomas se amenizam, mas costuma ser uma passagem, uma fase de transição", diz Patrícia Queiroz, coordenadora do Nupred. Se o crack tira o apetite, a maconha dá fome, diminuindo a perda de peso. A fissura, violenta na abstinência do crack, fica menor com o mesclado. "Eles acham que assim conseguem controlar o uso", explica o major Plauto Ferreira, especialista em dependência química. Entre quem fuma o mesclado existe até um certo preconceito contra os que fumam o crack.

 

"A gente vê aquele cara magrinho, só na pedra. Ele é desconsiderado. Pra sair, é muito complicado", diz Carlos, 18, que só fumava mesclado. Aos 14, experimentou numa festa. Antes tinha fumado maconha. "Achei o crack mais massa. Usava no fim de semana. Na semana dava para segurar. Ficava em casa. Minha mãe dizia pra sair enquanto era tempo, mas achava que dava pra sair quando quisesse". Há quatro meses, Carlos está internado pela segunda vez.

 

Fonte: O Povo

 

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