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Adolescentes são os que mais procuram ajuda para fugir do crack

 
Flávia Gradowski Sampaio
 

Os jovens do sexo masculino na faixa etária compreendida entre 16 e 17 anos representam o perfil do maior grupo de que busca tratamento para se livrar do crack em Curitiba. Entre as mulheres, a faixa etária cai, e fica entre 12 e 15 anos.

 

Ao menos 60% desta população está fora da escola e, com o tempo ocioso, ocupam a cabeça com o consumo de drogas. Também são a principal vítima do tráfico e, em especial, do crack, a droga que mais avança nas capitais e nas grandes cidades do País.

 

A busca por ajuda, contudo, nem sempre significa que o jovem vai se livrar da droga. Muitas vezes é a família quem o encaminha para tratamento. Com isso, a desistência é grande. Cerca de 70% dos usuários de drogas, em especial o crack, que buscam ajuda no Centro de Atenção Psicossocial de álcool e drogas (CAPS ad Centro Vida), programa da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, abandonam o tratamento.

 

O índice de evasão é altíssimo e, cada vez que desistem do tratamento e retornam algum tempo depois, o comprometimento orgânico é imenso. As políticas públicas de combate ao crack andam a passos curtos, enquanto o consumo da droga corre a passos largos. Políticas de prevenção ainda são bastante defasadas e há muito que se melhorar para vencer a corrida contra o tráfico.

 

De acordo com o psicólogo chefe do CAPS AD Centro Vida, Vanderlei Antônio Alves, muitos adolescentes recusam o tratamento porque não acreditam ser dependentes de drogas. “Eles procuram ajuda, recusam o tratamento, voltam e deixam novamente. Isso acontece até o momento em que percebem que não conseguem ficar sem a droga. Só aí é que o tratamento começa a ser feito, quando o adolescente percebe que é dependente químico”, explica

 

O índice de adesão ao combate à droga não chega a 30% e, conforme aponta Alves, cada vez que retornam às ruas,e  depois ao CAPS, voltam mais comprometidos. “Eles fazem esse processo de flutuação, mas, sempre que voltam, o comprometimento é muito alto”, explica.

 

Segundo Alves, o que ocorre é que muitas famílias não dão conta de lidar com o dependente e, já cansadas, desenvolvem um mecanismo de co-dependência. Neste caso, a relação familiar começa a ficar comprometida e, em 12% dos casos atendidos no CAPS, os adolescentes perdem completamente os vínculos familiares. E, desta forma, acabam voltando às drogas.

 

“É muito comum as famílias quererem internar o jovem e só querê-lo de volta quando estiver totalmente curado. A tentativa de fazer a reinserção social do jovem com a família muitas vezes é frustrada. Existe, sim, o retorno, mas o que se percebe é que um indivíduo só se mantém em um abrigo por muito tempo, ou até completar 18 anos, quando não é mais possível a reinserção na família. Muitas famílias têm dificuldade em aceitar o adolescente de volta”, apontou Alves.

 

Fonte: Bem Paraná

 

 

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