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Morte de lutador de jiu-jitsu reacende o alerta sobre clínicas de tratamento para dependentes químicos

 
Diogo Rodrigues
 

Ryan, um dos mais famosos lutadores de jiu-jitsu da família Gracie foi encontrado morto no último sábado, 15 de dezembro de 2007, dentro de uma cela da 91ª Delegacia de Polícia, na Vila Leopoldina na cidade de São Paulo. A família acusa o psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, proprietário da Clínica Maxwell localizada em Atibaia, pela morte do atleta e promete processá-lo.

 

Campeão por cinco vezes do Pride Fight Championship, um dos principais campeonatos de vale tudo do mundo, Ryan Gracie foi preso na tarde da sexta-feira acusado de roubar um carro e de agredir um idoso no bairro do Itaim Bibi, na zona sul da capital. O lutador tinha problemas com drogas, álcool e seu comportamento era considerado agressivo pelas pessoas que o conheciam.  

 

Ryan que passou por um exame toxicológico e de corpo de delito no Instituto Médico Legal de São Paulo, estava visivelmente transtornado e foi atendido pelo Farias Neto entre 2h e 5h, pouco antes de morrer. O psiquiatra ao chegar na cadeia realizou um exame de urina que constatou a presença de cocaína, maconha e um remédio contra ansiedade (Frontal). Depois disso receitou e aplicou um coquetel com seis tipos de medicamentos incluindo tranqüilizantes, antialérgicos e anticonvulsivos. Especialistas dizem que a mistura de drogas ilícitas em conjunto com calmantes pode ser fatal. 

Ryan Gracie
Ryan Gracie
 

Além do lutador, outros famosos também já foram tratados pelo psiquiatra Sabino Ferreira e por sua clínica. A história mais conhecida é do ex-vocalista do Grupo Polegar, Rafael Ilha, que estampou as manchetes da mídia brasileira quando foi pego roubando objetos de baixo valor para sustentar sua dependência das drogas. Rafael, garoto-propaganda da Clínica, critica o tratamento recebido no local e, de acordo com uma matéria do Diário de São Paulo, disse que ficou 10 meses fumando Crack no local.

 

O psiquiatra se defendeu e disse que a acusação é um absurdo, mas Rafael complementou dizendo que durante o tempo de internação tudo era liberado, bastava pagar que o dependente químico tinha “acesso às drogas, álcool e até garotas de programa”.

 

O número de dependentes químicos e de mortes interligadas ao consumo cresce em um ritmo acelerado no Brasil e no mundo. Casos como o do lutador Ryan Gracie podem e devem servir como um alerta  tanto na questão do uso de drogas e álcool quanto aos diversos tratamentos para dependência química que são oferecidos no país. Por isso se faz necessário exigir registros e documentação que comprovem a legalidade da clínica, bem como o atendimento profissional responsável.

 

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