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Música e produção fácil fazem ecstasy se espalhar pelo Mundo

 

A popularização da música eletrônica e a facilidade de produção são as principais causas de uma explosão no consumo do ecstasy mundo afora.

 

“A droga já havia sido consumida para fins recreativos, mas estourou quando se associou à cena eletrônica, a partir de Ibiza (Espanha), nos anos 90”, afirma o psicólogo Murilo Battisti, autor de um estudo sobre o consumo de ecstasy em São Paulo.

 

Um recente relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre ecstasy indica que o consumo da droga cresceu 70% entre 1995 e 2001 no mundo inteiro. No mesmo período, substâncias à base de anfetamina – as mais consumidas no Brasil e tão nocivas quanto o ecstasy, segundo a ONU – tiveram um salto de 40%. Mas o maior crescimento ocorreu na Europa e na Ásia, onde já estavam os maiores mercados.

 

A Tailândia, com 5,2% da população acima de 15 anos consumindo ectsasy, lidera o ranking mundial de consumo. Ela é seguida pela Austrália (3,4%) e pelas Filipinas (2,8%).

 

No total, a agência estima que 42 milhões de pessoas usem ecstasy e outras substâncias à base de anfetamina em um mercado que movimenta US$ 65 bilhões por ano.

 

Embora o perfil venha se diversificando, maioria dos usuários ainda são jovens que frequentam discotecas onde se ouve música eletrônica, ou clubs, a palavra inglesa que se difundiu junto com o movimento.

 

“O ecstasy dá uma sensação muito boa, você sente a música entrando pelo seu corpo”, diz Vanessa, de 29 anos, que tomou a droga pela primeira vez há dois anos, quando se mudou para Londres.

 

Riscos

 

Mas a ONU alerta que a “energia adicional” não é o único efeito causado pelo ecstasy. “Estimulantes à base de anfetamina são erroneamente percebidos como menos nocivos do que outras substâncias ilícitas, como heroína e cocaína”, afirma a Agência da ONU para Drogas e Crime, no seu primeiro relatório dedicado inteiramente ao assunto.

 

“É fácil de tomar, é fácil de esconder, parece uma coisa inocente”, enfatiza Bo Mathiesen, um dos responsáveis pelo relatório.

 

Segundo Mathiesen, a facilidade com que a droga pode ser produzida também explica a explosão do ecstasy.

 

“É uma situação nova. Trata-se de uma droga completamente química que pode ser produzida em um pequeno laboratório, em um apartamento, em uma casa ou até em um veículo móvel que pode operar cada dia em uma cidade”, afirma.

 

Mortes

 

No ano passado, 72 pessoas morreram na Grã-Bretanha depois de tomar ecstasy – o país tem 700 mil usuários da droga.

 

A maioria das mortes foi causada por desidratação e hipertermia (grande aumento da temperatura do corpo), efeitos causados pelo ecstasy e agravados pelas condições em que as pessoas geralmente tomam a droga: danceterias lotadas, pouco ventilados e que vendem água a preço de bebida alcoólica.

 

Especialistas alertam que não é possível prever como uma pessoa vai reagir à droga. Vanessa, por exemplo, tomava de duas a três “pílulas” por fim de semana até que, um dia, passou mal depois de tomar duas e meia. “Foi horrível. Tive alucinações, minha garganta fechou. Cheguei a achar que fosse morrer.”

 

Desde então, ela reduziu a frequência e a quantidade, passando a tomar um comprimido a cada um ou dois meses. Embora as mortes comprovem que o ecstasy pode ser letal em alguns casos, não é possível ter clareza quando se fala dos efeitos de médio e longo prazo do uso da droga, já que o seu consumo é relativamente recente.

 

A coordenadora do programa contra o abuso de drogas da OMS (Organização Mundial de Saúde), Maristela Monteiro, diz, porém, que já é possível afirmar que o ecstasy afeta gravemente o sistema nervoso.

 

“Estudos feitos com ratos e com seres humanos mostram que o consumo prolongado de ecstasy causa alterações de memória, depressão e até ataques de pânico em seres humanos.”

 

Monteiro explica que o ecstasy causa desequilíbrios no sistema serotonégico, que lida com a memória e outras funções cerebrais.

 

A médica diz que não é possível concluir que o ecstasy não causa dependência, como já afirmaram alguns estudos, porque até agora não há registros de pessoas que usam a droga todos os dias.

 

Combate

 

A médica da OMS acredita que a melhor forma de tentar conter o ecstasy é fazer campanhas de prevenção. No entanto, ela diz que informar as pessoas sobre os riscos da droga não exclui a necessidade de os governos protegerem os usuários com o que são conhecidas como “políticas de minimização de riscos”.

 

"Na Suíça, por exemplo, as pessoas podem testar a composição da droga antes de decidir tomá-la", diz Maristela.

 

No ano passado, no entanto, governo britânico foi acusado de estimular o consumo de drogas depois que exigiu que proprietários de danceterias vendessem água a preços mais razoáveis e oferecessem ambientes mais ventilados, para diminuir o risco de as pessoas se desidratarem.

 

Maristela rebate o argumento: “É como dizer que a distribuição de seringas a usuários de drogas injetáveis estimula o consumo de drogas, ao invés de dizer que previne a Aids e outras doenças”.

 

A médica da OMS também defende que viciados e vítimas de overdose precisam ser tratados como qualquer outro usuário da rede pública de saúde. “Não é por que é uma droga ilícita que ele não deve ser atendido”.

 

Fonte: BBC

 

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