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Noite à base de bebidas e anfetaminas

 

A busca pelo prazer exacerbado pode ser apontada como um dos fatores que levam cada vez mais adolescentes a consumir drogas. "Eles utilizam para se soltar". O psicólogo Valton Miranda Jr., coordenador do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Droga (CAPs-AD) da Secretaria Executiva (SER-II), explica que a droga é o caminho mais fácil para o adolescente encontrar alívio para as frustrações. A droga alivia essa frustração que é algo subjetivo. Mas acaba afetando a parte fisiológica por ser química.

 

Assim o organismo passa a pedir mais e mais e o usuário chega ao ponto de não sentir mais o prazer que tinha no início, levando ao vício e a colocar o corpo em risco. "O hedonismo de consumo na sociedade capitalista favorece a busca pelo prazer fácil, imediato", analisa Valton Miranda. A necessidade deste prazer enche as boates e as raves e aquece o tráfico de drogas sintéticas no Brasil e na América do Sul. Cada vez mais jovens se jogam no álcool e nas misturas a anfetaminas e medicamentos, em um verdadeiro coquetel que coloca a vida em risco. Jovens misturam álcool e anfetaminas para prolongar a balada, e médicos alertam para problemas cardíacos.

 

As anfetaminas estão cada vez mais presentes nas baladas e, principalmente, nas raves, pois misturadas ao álcool prolongam a disposição para a festa. A moda é fazer um coquetel. As anfetaminas, conhecidas como psicoestimulantes, são drogas que afetam o sistema nervoso central e estão no grupo das drogas sintéticas, produzidas em laboratórios. Deixam o usuário em estado de alerta, aumentam a capacidade de trabalho, percepção das sensações e tira também o sono.

 

Pelo fato de provocar estado de alerta, acabam sendo bastante usadas por estudantes no período de provas, explica a professora Mírian Parente Monteiro, do Centro de Informações sobre Medicamentos da UFC: "São danosas para o coração". O que mais preocupa os especialistas é o coquetel feito a partir dessas substâncias, principalmente o ecstasy, que tem como base a metanfetamina.

 

Trata-se de uma anfetamina quimicamente modificada, esclarece a professora. Todas essas substâncias são usadas tanto para o bem quanto para o mal. São trabalhadas em laboratórios buscando o aperfeiçoamento para uso terapêutico. O ecstasy, por exemplo, foi usado inicialmente como estimulante e inibidor de apetite dos soldados alemães na I Guerra Mundial. Depois, passou a ser utilizado em terapias de grupo como desinibidor.

 

A professora afirma que, muitas vezes, os jovens dispõe dessas substâncias dentro de casa. "O perigo maior está na mistura", acrescenta. O que acontece é que os jovens estão fazendo verdadeiros coquetéis de substâncias sintéticas e ingerindo numa noitada só. Mesmo sendo organismos jovens há uma sobrecarga, alerta. " É como você desse um estímulo muito intenso ao sistema nervoso", compara, esclarecendo que interfere nos neurônios podendo provocar uma falência ou esgotamento desses neurotransmissores. Dependendo do organismo, a primeira vez já pode ser fatal.

 

Além dos problemas que vão desde sobrecarga dos músculos do coração até à degeneração neuronal, há um outro: a mistura. ´Há muita mistura nas substâncias sendo impossível saber sequer o que estão usando´, adverte, citando pó de mármore, amido e cafeína em drogas como cocaína e ecstasy. As substâncias são usadas para dar mais peso a estas drogas.

 

O que é ecstasy?

 

O princípio ativo é a molécula denominada metilenodioximetanfetamina (MDMA), fortemente psicoativa. É uma droga moderna, sintética, feita em laboratório com a finalidade de tirar o apetite e o sono de soldados.

 

O ecstasy possui características farmacológicas e efeitos psicológicos semelhantes a uma mistura da anfetamina com mescalina. A anfetamina é um dos primeiros estimulantes sintetizados com finalidades terapêuticas. Os alucinógenos, como a mescalina, nunca foram empregados com finalidades terapêuticas sendo sempre considerados ilegais. Em 1960 a droga é redescoberta para potencializar a socialização e 1970, é proibida nos EUA. Depois da maconha é considerada a droga mais popular na Europa.

 

Fonte: Diário do Nordeste

 

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